Ford - Kaiser M-151A1/C Mutt no Brasil

História e Desenvolvimento.

Em fins da década de 1940 o exército americano estava equipado em quase que sua totalidade com os jeeps  M-38 e M-38A1, dentro de plano de renovação de meios das forças armadas norte americanas o departamento de Comando da Força Automotriz e tanques do Exército (U.S. Army's Ordnance Tank Automotive), lançou no mercado uma concorrência entre as empresas automotivas americanas para o desenvolvimento de um novo veículo utilitário de 1/4 Ton com tração nas 4 rodas, devendo o mesmo manter os mesmos parâmetros de ótima relação de custo benefício operacional a exemplo de seus antecessores.

Ao todo, sete empresas fabricantes de carros e caminhões apresentaram suas propostas, tendo sido escolhido em maio de 1951 pelo U.S. Army's Ordnance Tank Automotive o projeto desenvolvido pela Ford Motors Co. Embora este novo utilitário tenha mantido o mesmo lay básico e as dimensões de predecessores, seu desing final era completamente novo, pois ao contrário dos projetos de jipe anteriores, cuja estrutura consistiu em uma cuba de aço aparafusada em uma estrutura de aço separada, o agora designado M151 empregava um novo conceito de quadro integrado, combinando os trilhos da estrutura no chassi do veículo composto por chapas soldadas. A adoção deste sistema em substituição ao quadro separado concebeu ao M-151 uma distância maior do solo, baixando assim o centro de gravidade, este processo ocasionou em um pequeno aumento no comprimento, tornando o também mais confortável, outra melhoria resultante foi implementada na suspensão, através da eliminação dos eixos rígidos dianteiros e traseiros, lhe permitindo viagens em alta velocidade em terrenos acidentados.
A produção em larga escala industrial teve início em junho de 1959, seu emprego inicial nas unidades militares principalmente na Guerra do Vietnã, logo demonstraria a tendência a instabilidade quando empregado em altas velocidades podendo provocar acidentes, como medida paliativa os motoristas militares costumavam colocar uma caixa de munição cheia de areia debaixo do banco traseiro quando nenhuma outra carga estava sendo carregada. A documentação destes acidentes em operação viria a gerar uma não conformidade junto aos órgãos americanos federais para a regulamentação de segurança rodoviária para veículos civis. Este limitante impediria a comercialização do M151 no mercado civil, não só de unidades novas, mas também posteriormente a entusiastas e colecionadores militares.

No anseio de eliminar esta falha original do projeto, engenheiros Ford Motors redesenharam o sistema de suspensão, empregando o sistema semi-trailing arm suspension, nascendo assim em 1970 a versão M151A2, neste cenário visando ampliar a produção para as demandas emergenciais o Comando do Exércitos dos Estados unidos concedeu as empresas Kaiser Motors e à AM General Corp encomendas para produção sob licença da Ford. A versão A2 podia ser destinguida pela combinação do posicionamento das luzes de direção o que levaram a alteração no formato dos para lamas. A exemplo do  M151,  a nova versão seria a base para a criação de variantes especializadas como a ambulância M718A1, porta canhao sem recuo M825, versão de ataque rápido aerotransportado  M151A2 FAV e a versão anti tanque equipadas com misseis M151A2 TOW. O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos se tornaria o segundo maior operador da família, iniciando suas primeiras aquisições em 1971 com versões customizadas para esta força como Marine FAV Mk I e MKII "Super Jeep, Airborne Marine FAV, MRC108 e M1051 dedicada a combate a incêndios. 
Até meados da década de 1980 a família M151 foi responsável pelo sustentáculo das forças americanas no segmento de utilitários de 1/4 Ton com tração 4X4, neste momento eles começaram a ser substituídos pelos primeiros modelos do AM General Humvee. Este movimento gerou um grande estoque de unidades excedentes que começaram a ser fornecidas a nações amigas nos termos do Foreign Military Sales (FMS), sendo empregados pela Argélia, Argentina, Bolivia, Bahrein, Camarões, Canadá, Chile, Colômbia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Egito, El Salvador, Etiópia, França, Gana, Grécia, Honduras, Guatemala, Indonésia, Israel, Jordania, Kuwait, Luxemburgo, México, Marrocos, Paquistão, Panamá, Portugal, Peru, Filipinas, Portugal, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Vietnã do Sul, Iêmen, Zaire e Líbia. Sua produção foi encerrada em fins de 1982 pelas três empresas, atingindo aproximadamente 100.000 unidades entregues.

Emprego no Brasil.

Em meados da década de 1960 o Exército Brasileiro ainda dispunha em suas fileiras de centenas de Jeeps Willys e Ford, e começava a receber as primeiras unidades de modelos mais novos como os M-38 americanos oriundos dos estoques do US Army e os primeiros nacionais CJ-2A militarizados. No contexto da realidade das forças armadas sul americanas, podemos considerar que nosso exército estava bem equipado em termos de quantidade e modelos de utilitários 4X4 na faixa de 1/4 Ton, este fato aliado ao esforços de incentivo a indústria automotiva nacional, inviabilizava qualquer aquisição de veículos especializados militares americanos.

Em 1961, após um período de instabilidade política depois do assassinato do ditador dominicano Rafael Trujillo em 1961, o candidato Juan Bosch, um fundador do Partido Revolucionário Dominicano (PRD), foi eleito presidente em dezembro de 1962. Suas políticas inclinadas a esquerda, incluindo a redistribuição de terras e a nacionalização de certas explorações estrangeiras, levaram a um golpe militar sete meses mais tarde por uma facção militar de direita liderada pelo General Elías Wessin, que também controlava o Centro de Entrenamiento de las Fuerzas Armadas, um grupo de infantaria de elite com cerca de 2000 altamente treinados. Era quase uma organização independente, criada inicialmente por Ramfis Trujillo, filho do ex-ditador, para proteger o governo e assegurar a Guarda Nacional, a Marinha e a Força Aérea, esta organização transferiria o poder a um triunvirato civil, onde seus líderes rapidamente aboliram a Constituição, declarando-a "inexistente". 

Em 24 de abril de 1965, um grupo de jovens oficiais nas forças armadas, liderado pelo coronel Francisco Caamaño, rebelou-se contra o triunvirato. Os rebeldes pró-Bosch, conhecidos como "Constitucionalistas", estes distribuíram armas à população, criando assim um clima de guerra civil, sobre a ótica de um possível agravamento da crise, o governo americano iniciou os preparativos para a evacuação dos seus cidadãos e de outros estrangeiros que poderiam desejar deixar a República Dominicana. O avançar dos rebeldes poderia levar a criação de "uma segunda Cuba", desta maneira o oresidente Lyndon Johnson ordenou forças para restaurar a ordem, alegando como razão oficial para a intervenção a necessidade de proteger a vida dos estrangeiros, uma invasão foi lançada pelos Marines e elementos da 82ª Divisão Aerotransportada. Os Estados Unidos juntamente com a Organização dos Estados Americanos (OEA) formaram uma força militar para ajudar na República Dominicana. Posteriormente, a Força Interamericana de Paz (IAPF) foi formalmente criada em 23 de maio. Contando também com participação de militares  do Brasil, Honduras, Paraguai, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador.

Os Estados Unidos ficariam encarregados de prover em termos de suprimento e equipamento as nações participantes da Força Interamericana de Paz, neste pacote estava incluindo o fornecimento ao Exército Brasileiro de 88 unidades das versões, M151A1, M151A1C (equipado com canhão sem recuou e M-718 (ambulância), estes veículos foram entregues as tropas brasileiras, quando do desembarque do primeiro contingente no país caribenho em 25 de maio de 1965. Durante um ano os jeeps da família M151 Mutt participaram ativamente de todas as missões realizadas pelos 4 mil soldados brasileiros que atuaram em turnos junto a tarefas de pacificação na República Dominicana. Com o fim de intervenção da Força Interamericana de Paz (IAPF)  em 21 de setembro de 1966, estes veículos foram doados ao Brasil e  transportados por navios da marinha, juntamente com os efetivos do último contingente do exército. 
Salientamos que o emprego da família M151 Mutt na Republica Dominicana, não foi o primeiro contato do exército com este tipo de carro, pois diversos deles foram empregado pelas tropas brasileiras também quando da participação da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I), em operação no Egito, ao longo do Canal de Suez.

Após o recebimento e revisão os M151A1, M151A1C e M-718 foram distribuídos a diversas unidades de infantaria motorizada, o bom desempenho do modelo superior aos modelos em uso, lhe conferiram lugar de destaque junto as unidades, o confiável canhão sem recuo modelo M-40A1 de 106 mm que equipava o M151A1C, lhe proporcionava bom poder de fogo e agilidade em terrenos desfavoráveis, provando suas qualidades off road.Em fins de sua carreira já da década de 1990 , as unidades remanescentes foram concentrados no 24º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIM) no Rio de Janeiro, apesar se mostrarem ainda confiáveis e com muitos anos de serviço pela frente, o exército encontrava dificuldade no cadeia de peças de reposição do modelo, optando assim pela desativação do mesmo no ano de 2004, sendo substituído por novos modelos Land Rover e Agrale.

Em Escala.

Para representarmos o M-151A1C " EB-22-1430", fizemos uso do excelente kit da Academy, presente na escala 1/35 que nos brinda com um bom detalhamento do grupo motriz e munição para o canhão M-40A1, o kit permite ainda montagem out of box (direto da caixa) para assim se representar a versão brasileira. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products presentes no Set Brasil 1944 / 1982.
O esquema  de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado em todos  os veículos  M151A1, M151A1C e M-718, utilizado desde o recebimento, até o ano de 1982, quando passaram a receber um novo padrão de cores, numeração e marcações nacionais.



Bibliografia : 

- M-151 Truck Utility - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M151_Truck,_Utility,_l/4-Ton
- M-151 no Brasil - Arquivo Pessoal - Paulo Bastos
- O Brasil e a Rep Dominicana  Bruno P . Vilella http://www.uff.br

Embraer EMB 314 - A-29A Super Tucano

História e Desenvolvimento.

O sucesso mundial do EMB-312 Tucano, encorajou a empresa a empreender novos passos na área de aeronaves de treinamento militar. Conhecedora do promissor mercado para aeronaves turboélice, a Embraer iniciou um trabalho de desenvolvimento baseado no T-27G1 Shorts Tucano, da Real Força Aérea Britânica, originando assim o conceito do EMB-312H que seria um treinador mais avançado que a versão inicial. No início da década de 1990, quando os Estados Unidos lançaram as primícias do programa Joint Primary Aircraft Training System (JPATS), atenta a esta oportunidade a Embraer vislumbrou potencial para o EMB-312H motivando a construção de um protótipo, além deste processo a empresa viria a participar do em 1993 do  NFTC (NATO Flight Training in Canada), uma concorrência que buscava selecionar um treinador padrão para a OTAN, infelizmente o modelo brasileiro não logrou êxito em vencer estes dois processos, e a Embraer não desanimou, mantendo assim o desenvolvimento de sua aeronave.

Nesta mesma, época a Força Aérea Brasileira estava finalizando o processo de implantação do projeto SIPAM/SIVAM (Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia) que deveria ser composto por radares e sistemas fixos, móveis e aerotransportados, havia ainda a necessidade de se compor o braço armado do programa com uma aeronave que pudesse operar em conjunto com os novos Embraer R-99 através de datalink. As especificações básicas deste novo vetor deveriam compreender grande autonomia, moderna avionica para operação diurna e noturna, devendo operar em aeródromos desprovidos de infraestrutura básica, e grande capacidade de transporte de armamento em cinco pontos subalares e metralhadoras embutidas nas asas. O modelo ainda deveria ser apresentado em duas versões, sendo uma monoposto exclusivamente dedicado a missões de ataque, e outra biposto, que além de manter a capacidade de ataque, poderia ser empregada no treinamento e conversão de pilotos.
Em 1995 a Embraer assinaria o contrato no valor  US $ 50 milhões para o desenvolvimento deste vetor sobre a égide denominada Programa ALX (Aeronave de Ataque Leve), o primeiro protótipo bisposto do EMB-314 Super Tucano YAT-29 FAB 5900 alçou voou em 28 de junho de 1999, e foi dotado com um motor turboélice Pratt & Whitney PT6A-68 de 1.600 hp de potência, controlado sistema Full Authoroty Digital Engine Control que acionava uma hélice pentapá Hartzell, possuindo ainda uma blindagem protetora da cabine em kevlar, assento ejetável zero-zero, para brisa reforçado, Head Up Display (HUD), sistema Hands On Throttle and Sticks (HOTAS), sistema Onbord Oxigen Generation Systens (OBOGS) e Night Vision Google (NVG).

Após receber o primeiro contrato de fornecimento em larga escala para a Força Aérea Brasileira o Super Tucano passou a despertar a atenção de outros países que buscavam não só um treinador avançado, mas também uma aeronave especializada em missões de contra insurgência (COIN) para substituir os já obsoletos Cessna A-37 Dragonfly e Rockwell OV-10 Bronco.O primeiro contrato de exportação foi celebrado com a Colômbia em 2006 no valor de US $ 234 milhões para 25 A-29B, sendo seguido por mais 12 células para o Chile, e na sequencia novas vendas para Equador, Angola, Burkina Faso, Mauritânia Indonésia, Republica Dominicana, Honduras. Em 2012 o A-29 foi declarado vencedor da concorrência realizada pelo governo norte americano para a aquisição de 20 unidades de ataque leve para o programa Light Air Suport (LAS), destinado a equipar o Corpo do Exército Aéreo Nacional do Afeganistão, com a primeira aeronave sendo oficialmente entregue em 25 de setembro de 2014 nas instalações da Embraer na Florida.
O batismo de fogo do modelo se deu em 18 de janeiro de 2007, quando um esquadrão Força Aérea Colombiana lançou a primeira missão de combate de seu tipo, atacando as posições das FARC na selva com bombas Mark 82, empregando o sistema de pontaria CCIP (Continuamente Computed Impact Point), os excelentes resultados obtidos nesta e nas demais missões realizadas pelos Super Tucano a FAC contribuíram muito para construção da reputação da aeronave, refletindo em mais de 200 unidades já entregues e muitas mais em negociação para mais 15 potenciais clientes.

Emprego no Brasil.

Em fins da década de 1990 a Força Aérea Brasileira já estudava a substituição dos AT-26 Xavante nas tarefas de formação de pilotos de caça, pois as células se encontravam em operção desde a década de 1970 estavam entrando no limiar de sua vida útil, assim desta maneira o projeto ALX teria por missão também atender a esta demanda. Assim desta maneira o primeiro protótipo o YAT-29 FAB 5900 foi empregando em um amplo programa de testes, chegando a configuração final somente no ano de 2004.

O primeiro esquadrão a receber o A-29B foi o 2º/5º GAv, Esquadrão Joker baseado em Natal - RN em agosto de 2004, ficando responsável pela formação dos primeiros pilotos da aeronave e pelo desenvolvimento da doutrina de implantação do vetor nas novas unidades do 3º Grupo para assim substituir os AT-27 Tucano. O objetivo por tras da colocação do A-29B no Esquadrão Joker era o de iniciar o processo de substituição dos AT-26 Xavante na formação dos futuros pilotos e caça brasileiro, tarefa esta que seria facilitada pela comunalidade de sistemas eletrônicos embarcados entre e o A-29, o F-5M e A-1M contando ainda com o sistema data link  fornecido pelo rádio Rohde & Schwartz M3AR (Série 6000) com proteção eletrônica das comunicações, como salto, criptografia e compressão de frequências, reduzindo assim o gap tecnológico na formação dos pilotos que até então realização sua tarefa de informação em uma aeronave analógica com tecnologia da década de 1970.
O primeiro lote contratado compreendia 76 aeronaves sendo 51 bipostos e 25 monopostos e além do 2º/5º GAv, foram destinados as unidades aéreas baseadas próximas as fronteiras norte e oeste do pais como o 1º/3º GAv Esquadrão Escorpião , 2º/3º GAv  Esquadrão Grifo e 3º/3º Gav Esquadrão Flecha. Um novo contrato seria ainda celebrado com a Embraer prevendo a aquisição de mais 23 células, sendo 15 bipostos e 8 monopostos, que além dos sistemas padrão de defesa como o MAWS (Missile Approach Warning System) [Sistema de Alerta de Aproximação de Míssil] e RWR (Radar Warning Receiver) [Receptor de Alerta de Radar], dispensadores de chaff e flares, passava a dispor passava a ser equipado com o sistema FLIR (Forward Looking Infrared) modelo AN/AAQ-22 Safire, fabricado pela FLIR Systems.

Do ponto de vista de potencial de combate além das duas metralhadoras 12.7 mm instaladas nas asas, o leque de armamento disponível para o Super Tucano é bastante variado e relativamente pesado,  chegando a um total de 1500 kg, considerando que se trata de um avião turboélice, podendo ser composto por bombas MK-81 de 119 kg, bombas MK-82 de 227 kg, bombas guiadas a laser GBU-12 e casulos de foguetes de 70 mm Avibras SBAT-70 para emprego em missões de ataque, ou ainda a combinação de dois misseis ar ar Mectron Piranha, casulos de canhões de 20 mm para missões de intercepção. Estas capacidades aliadas a uma célula desenvolvida para operar no ambiente amazônico e condições meteorológicas adversas, excelente relação de custo benefício, tornaram o A-29 Super Tucano a plataforma ideal para atendimento as demandas de ataque leve, interceptação e formação de pilotos de caça na Força Aérea Brasileira.
A última unidade a receber o Super Tucano foi o Esquadrão de Demonstração Aéreo (EDA), Esquadrilha da Fumaça que passou a contar a partir de outubro de 2012 com quatro Embraer A-29B e oito A-29A que receberam modificações para a missão de demonstração aérea, recebendo inclusive a pintura padrão da unidade muito semelhante ao aplicado nos T-27 Tucano que por eles foram substituídos. 

Em Escala.

Para representarmos o A-29A "FAB 5920" fizemos uso do kit em resina da Duarte na escala 1/48, modelo de excelente qualidade de acabamento e detalhamento, empregamos um set em resina da Eduard Brassin para representar os misseis ar ar Piranha. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/07.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado por todas as aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira a partir de fins da década de 1990, apresentando as marcações em baixa visibilidade.


Bibliografia :

- Embraer EMB-314 Super Tucano - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Embraer_EMB-314_Super_Tucano
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Invader na FAB , Claudio Lucchesi e José R. Mendonça  - Revista Asas  nº 10
- O Braço Armado do Sivam - Por Silvio Potengy - Revista Força Aérea Nº 27
- Fechando a Porteira - Visitando o 3º/3º Gav - Por Roberto Klanin - Revista Força Aérea Nº 50

Cessna L-19A e L-19E Bird Dog

História e Desenvolvimento.

Em agosto de 1949 o comando do Exército Americano emitiu junto indústria aeronáutica dos Estados Unidos, parâmetros para o desenvolvimento de uma nova aeronave leve monomotora para dois tripulantes com a finalidade de desempenhar missões de ligação, observação e controle aéreo avançado para ajuste de fogo de artilharia. Esta nova aeronave teria por missão substituir nestas atividades os já obsoletos Pipers L-4H e Stinsons  L15 em operação desde a Segunda Guerra Mundial. O desafio proposto aos participantes desta concorrência era o de apresentar um protótipo pronto para ensaio operacional em março do ano seguinte. Umas das empresas a Cessna  Aircraft Company  apresentou como proposta o Model 305 , que era uma derivação militar da versão civil Model 170, e tinha como principais alterações, a adoção de maiores janelas laterais inclinadas(para melhorar a observação do terreno), traseira resenhada para proporcionar uma visa direta da retaguarda, painéis transparentes sobre a cabine (similares aos encontrados no Cessna 140)e inclusão de uma porta lateral compatível com emprego de uma maca para emprego em missões de evacuação aéreo medica.

O primeiro protótipo matriculado N41694, alçou voo em dezembro de 1949, sendo imediatamente levado para o centro de ensaios em voo do exército em Wright Field no estado de Ohio, onde durante seis semanas foi testado comparativamente contra os protótipos apresentados pela Piper, Taylorcraft e Temco, neste processo a Cessna foi declarada vencedora em maio de 1950, gerando assim contrato inicial para o fornecimento de 418 células do modelo 305A que recebeu a designação de L-19A . O início da produção em série pela Cessna, coincidiu com o início da Guerra da Coreia, criando assim um sentimento de urgência nos comandos da Força Aérea e Exercito Norte Americano, incrementando significativamente os volumes de aeronaves inicialmente contratadas.
Naturalmente seu batismo de fogo se deu na Guerra da Coreia, onde foram empregados em missões de controle aéreo avançado e ligação, obtendo resultados excelentes mesmo apesar de possuir uma aparência frágil típica de aviões de pequeno porte. Neste cenário de real de combate os L-19A operaram frequentemente em pistas que eram pouco mais do que áreas descampadas de terra batida, e não foram raras as ocasiões em que estas aeronaves voltavam a suas bases com dados de grande monta provocados por armas de pequeno calibre.

A partir de 1953 foram desenvolvidas novas versões incluindo melhoramentos como, hélices de velocidade constante, sistemas de navegação e comunicações aprimorados, peso bruto maior e reforços estruturais. Entre estas variantes, estava a OE-1 destinada a missões de observação e controle aéreo avançado sendo amplamente empregado pela USAF e US Army e Força Aérea Sul Vietnamita, nas fases inicias da Guerra do Vietnã. Existem registros de operações especiais clandestinas de infiltração nos territórios do Laos e Camboja. Sua capacidade de pouso e decolagem em curtas distancia lhe tornaram apto a ser empregado pela Força Aérea Americana em missões de busca e salvamento de pilotos abatidos atrás das linhas inimigas. Um total de 469 células foram perdidas neste conflito sendo vítimas de acidentes ou artilharia antiaérea inimiga.
A partir do início da década de 1970 os L-19 Bird Dog começaram a ser substituídos nas forças armadas americanas pelos novos Cessna O-2 Skymaster e North American OV-10 Bronco, gerando assim um excedente de células em bom estado que foram repassadas para nações aliadas nos termos dos planos de ajuda militar, entre elas Áustria, Chile, Brasil, Canada, França, Indonésia, Itália, Malta, Noruega, Paquistão, Coreia do Sul, Espanha, Taiwan e Tailândia, o modelo ainda seria produzido sob licença no Japão pela Fuji e também muitas unidades foram transferidas para operadores civis. Ao todo foram produzidas 3.413 células até o ano de 1959, sendo dispostas em 15 versões.

Emprego no Brasil.

No início da década de 1950 a Força Aérea Brasileira estava desenvolvendo um processo de restruturação com a finalidade de potencializar suas atividades de suporte as demais forças armadas, entre elas o Exército Brasileiro que carecia dos meios para a realização de missões de regulagem de tiro de artilharia e observação. Para se atender a esta demanda, em 12 de dezembro de 1955 o decreto lei nº 38.295 recriou a 1º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação), unidade esta que seria incumbida de prover ao exército os meios necessários as missões de regulagem de tiro de artilharia e reconhecimento visual. As aeronaves disponíveis no inventário da FAB neste período os Piper LH-4 Grass Hoper encontravam-se no limiar de sua vida útil pois eram células veteranas da campanha da Itália onde foram operadas pela mesma unidade novamente ativada, e não poderiam ser empregadas neste novo cenário.

O sucesso natural o Cessna L-19 Bird Dog era a melhor escolha para o atendimento desta necessidade, desta maneira o Ministério da Aeronáutica fazendo uso dos termos do Programa de Assistência e Defesa Mutua (PADM) negociou a aquisição de oito células usadas do Cessna 305A L-19A Bird Dog, oriundas dos estoques do Exército. Estas aeronaves receberam as matriculas FAB 3062 a 3069 e foram recebidas em dezembro de 1955 no Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro, sendo entregues imediatamente a 1º ELO, unidade que neste período estava subordinada a Escola de Aeronáutica e ficou encarregada de dar o apoio necessário a incorporação do modelo. Durante os dois primeiros anos de atividade os L-19A foram dedicados a formação e adestramento do pessoal aeronavegante, instrução com sistema “apanha-mensagem”, treinamento nas várias modalidades de reconhecimento, instrução de regulagem de tiro de artilharia e treinamento dos observadores aéreos do Exército. Estas aeronaves dispunham ainda de quatro cabides subalares, possibilitando o treinamento de lançamento de fardos com viveres e emprego de foguetes fumígenos de fosforo branco SCAR de 2.25 polegadas para a marcação de alvos. Este período foi caracterizado por intensa atividade aérea e nele registraram-se duas perdas, uma em outubro de 1957 e outra em julho de 1959
Duas células seriam fornecidas dos estoques do Exército Brasileiro, sendo em 1961 um L-19A  e em 1963 um L-19E, infelizmente não existe a documentação referente a origem destes aviões, esta grata surpresa viria a ajudar a recomplementar a dotação inicial que neste momento estava restrita somente a cinco células. Visando melhorar este cenário novamente a FAB fazendo uso do Programa de Assistência Militar Brasil-Estados Unidos, negociou a aquisição de dez aeronaves do modelo L-19E pertencentes a USAF que se encontravam estocados. As aeronaves foram entregues desmontadas entre outubro e novembro de 1963, e foram montadas nas instalações do Parque de Aeronáutica dos Afonsos. Encerrada este processo seis exemplares foram destinados a 3º Esquadrilha de Ligação e Observação (ELO), com sede na Base Aérea de Canoas , e as quatro aeronaves restantes foram distribuídas ao 1º ELO. Este novo modelo dispunha de uma suíte de comunicações mais moderna com sistema FM AN/AR, sendo distinguido visivelmente do modelo anterior pela presença das antenas no bordo de ataque de cada estabilizador horizontal. 

Na primeira metade da década de 1960 o evoluir nos movimentos comunistas no Brasil começaram a convergir para possíveis ameaças de guerrilha, na missão de se preparar para possíveis ações de combate contra as forças insurgentes   a FAB passaria a criar os Esquadrões de Reconhecimento e Ataque (ERA), unidades estas dedicadas a missões de contra insurgência. As aeronaves matriculadas FAB 3150 a 3159 e 3201 foram destinadas ao 1º ERA com sede na Base Aérea de Canoas no Rio Grande do Sul, onde se desenvolveu o conceito para emprego nas missões de Controle Aéreo Avançado, tendo sido também empregados em missões reais de combate contra a guerrilha comunista, como as operações “Papagaio, Pinguim e Carajas”, posteriormente a transformação dos ERA em EMRA (Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque) viria a promover uma realocação dos L-19E Bird Dog, sendo distribuídos ao 1º e 3º EMRA, logo em seguida as células foram concentradas no 1º EMRA na Base Aérea de Belém.
A operação no ambiente amazônico cobrou um alto preço a reduzida frota de aeronaves L-19A/E, pois diversos pequenos acidentes registrados em 1974, servindo de prenuncio para a perda de três aeronaves entre março de setembro de 1975, outros foram perdidos em acidentes registrados entre 1977 e 1978, e ao iniciar o ano seguinte a frota de Birds Dog estava reduzida a quatro exemplares, que continuaram operando até a extinção do 1º EMRA, em setembro de 1980, e a criação do 1º/8º Grupo de Aviação (1º/8º GAv), onde operaram até pelo menos o fim deste mesmo ano, quando então as  três células remanescentes foram entregues ao Departamento de Aviação Civil (DAC) a fim de serem distribuídas para clubes de planadores, uma ultima aeronave foi encaminhada ao Museu da Aeronáutica (MUSAL), para restauro e exposição.  

Em Escala.

Para representarmos o L-19E Bird Dog "FAB 3154" pertencente ao 1ºEMRA, empregamos o kit da Model Usa na escala 1/48 (única opção existente nesta escala), trata-se de um modelo de fácil montagem, porém requer paciência no acabamento das peças devido ao alto índice de rebarbas de injeção. Para melhoria no detalhamento confeccionamos em scratch os cabides subalares e foguetes fumígenos de fosforo branco. Fizemos uso de decais impressos pela FCM presentes no set 48/09.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura dos L-19A/E, quando do recebimento dos primeiros L-19A em 1955, posteriormente foram aplicadas marcações de alta visibilidade em laranja nas asas e fuselagem e também marcações em amarelo nas asas, esquemas que foram retirados posteriormente, retomando o padrão inicial até sua desativação em 1980.



Bibliografia :

- Cessna 01 Bird Dog Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Cessna_O-1_Bird_Dog
- História da Força Aérea Brasileira - Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Nas Garras do Puma – Oswaldo Claro Junior
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  por Jackson Flores Junior